segunda-feira, 13 de junho de 2011

Grandes momentos da propaganda de rua


Do blog do André Barcinski

Grandes momentos da propaganda de rua












Sou fascinado por sinais de rua e seu humor involuntário.

Dia desses, passeando com a família, dei de cara com essa pérola aí de cima. Brilhante.

Ao contrário da maioria, não acho muita graça em placas com erro de português. Fico sempre com pena do autor. Dá para perceber que o sujeito fez um esforço para escrever corretamente, mas a ignorância não deixou. E ignorância, como sabemos, tem conserto.

Já burrice é uma estrada sem volta. Como explicar uma placa que diz: “Aperte a campainha e espere 5 minutos. Se ninguém atender, vá embora!”? Não tem escola que dê jeito.

Quando eu morava no Centro de Sâo Paulo, havia uma depiladora que anunciava a seguinte promoção:

“Faça uma axila e ganhe um buço”.

A placa levantava algumas questões pertinentes: se o cliente fizer as duas axilas, ganha um buço sobressalente? Quem preferir ficar com o buço, pode trocá-lo por uma virilha?

No tradicional bairro da Liberdade, reduto de orientais em Sâo Paulo, fica uma de minhas placas de trânsito prediletas, cheia de conotações eróticas e étnicas:

“Cuidado ao entrar no amarelo piscante”.

Outra coisa que me diverte são slogans publicitários infelizes.

Lembro de uma conhecida marca de café cujo cartaz estampava a frase “Os bons tempos voltaram” embaixo da imagem de um escravo carregando um saco de grãos na cabeça e de um senhor de engenho saboreando um cafezinho na varanda. Incrível.

E a rede de motéis no Rio que enfureceu secretárias com a promoção “Comemore o Dia da Secretária no Motel Tal”? São relíquias do politicamente incorreto.

Às vezes, do nada, nos deparamos com frases tão absurdas e delirantes que se destacam em meio ao caos visual das metrópoles. Certa vez, vi num carro um adesivo que dizia:

“O que você está esperando? Crie cabras!”

Assim, seco, direto, sem maiores explicações. Crie cabras. Sua vida vai melhorar. É uma ordem.

Outra vertente de placas e sinais que me agrada é a vertente lusa. Qualquer um que já tenha visitado Portugal sabe que andar por lá é um colírio para os olhos e o espírito.

Em que outro país do mundo você pode desfrutar de pratos como chambão estufado com arroz de grelo malandro, hospedar-se no Hotel Bago D’Ouro, ou visitar a cidade de Tomar, banhada por um rio chamado Nabão? Já pensou nas possibilidades? Ai, terrinha querida...

Algumas vezes, são as circunstâncias que fazem toda a diferença. Existe uma placa em Sâo Paulo que não teria destaque algum, se não estivesse posicionada onde está.

O local é a portaria do prédio onde mora meu amigo José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Na porta, há um sinal que diz: “Proibida a entrada de pessoas estranhas”.

Quando comentei com Mojica sobre a ironia do texto, ele respondeu: “Ainda bem que botaram essa placa aí! O que tem de gente estranha querendo entrar nesse prédio não é mole!

Um comentário:

Anônimo disse...

a curiosodade mata o gato nu é